Castigo e Educação

Li uma matéria muito boa da revista Pais & Filhos sobre o tema castigo. Gostei tanto que resolvi vir aqui, compartilhar com você os principais pontos abordados.

Depois que temos filhos, uma das nossas principais preocupações é como iremos criá-los, educá-los, ensiná-los. Como iremos impor limites, dizer não, proibir essa ou aquela atitude. E nesse cenário é que entra a questão do castigo.
Muito comum e divulgada mundo afora está a teoria da famosa Super Nanny, na qual a criança deve ser colocada no “cantinho do pensar” sempre que fizer algo errado. Segundo ela, com esses minutinhos “fora de circulação” a criança  entenderá que fez algo errado e irá parar para pensar antes de fazer de novo.
Mas será mesmo? Depois de ler a matéria da Pais & Filhos uma outra realidade me foi apresentada, a de que esse tal cantinho do pensar não funciona para nada, pelo menos até a criança ter em média seis ou sete anos, pois crianças até essa idade não tem maturidade suficiente para pensar sobre o que fizeram. E além do mais, e até mais importante que isso, essa atitude pode levar as crianças a associarem o ato de “pensar” a algo negativo, o que eu imagino que ninguém aqui vá querer.
De acordo com a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro, “Botar uma criança para pensar sobre o que fez só serve para dar uns minutos de descanso para a mãe, não tem função educativa, porque a criança só consegue pensar sobre o que fez e só compreende o sentido moral das regras e dos valores a partir de seis ou sete anos”.
Mas então, o que fazer nessas situações? Como agir se o ideal não é colocar a criança para “pensar”, um tipo de castigo tão popular e empregado atualmente.
A solução é agir de uma forma diferente para cada situação que se apresentar. E respeitar e ajudar a criança a “transpor” as dificuldades que se apresentaram e que a fizeram agir de forma não adequada. Abaixo eu trago uma listinha do que dá para fazer quando a situação começa a sair do controle e precisamos intervir. Tudo, sempre, com muito carinho, amor e respeito. Como deve ser.
Algumas dicas básicas para educar fugindo do tradicional castigo – o cantinho do pensar:
Quando a criança der um piti, um escândalo ou chegar na famosa fase das birras, em vez de brigar e colocar de castigo tente ajudá-la a nomear suas emoções. Ou seja, diga frases como “Você está irritado porque está com sono. Você está triste porque seu brinquedo quebrou.” Isso ajuda a criança a entender o que está sentindo e a superar essa fase de frustração.
Castigo funciona sim e algumas vezes é necessário, mas ele deve ter uma relação direta com aquilo que o desencadeou e não simplesmente privar a criança de algo que ela gosta. Ou seja, se a criança fez uma cena no supermercado não adianta você tirar o vídeo game para castigá-la e evitar que ela repita o ocorrido. Nesse caso, um castigo adequado seria não levá-la nas próximas vezes junto e explicar que isso está acontecendo porque ela não soube se comportar naquele ambiente. Já se o video game é responsável pela baixa no rendimento escolar, aí sim vale privar a criança desse divertimento, pois o castigo tem ligação com o problema que está acontecendo.
Evitar ficar repetindo NÃO a toda hora também ajuda na hora de educar. Tem situações que a criança escuta tantas vezes não por dia que ele se torna banalizado e passa a não ter mais significado para ela. O ideal, quando a criança está fazendo algo que não pode ser feito é desviar o foco da sua atenção ou mudá-la de ambiente. Por exemplo: se ela quer brincar com algo que não pode, pois ela pode se machucar, chame-a para brincar com outro objeto ou em outro espaço. Funciona muito melhor.
Se sujou, limpa! Se a criança fez uma lambança, riscou a parede ou algo assim, chame-a  para ajudar na limpeza. Mesmo que o resultado não fique bom e que você tenha que refazer é importante ela perceber que é responsável pelos seus atos.
Mostre o que pode e o que não pode fazer de forma gentil, mas firme. Por exemplo, se a criança bateu em você, segure as suas mãozinhas, olhe bem nos seus olhos e fale firme, dizendo que você não gostou do que ela fez e que está brava. Fale isso de forma séria, sem que ela pense que você está brincando. Saiba que, desde muito cedo, a criança percebe se um determinado comportamento seu deixa a mãe triste ou feliz e age muitas vezes tendo isso em mente. Importante: mostre que você não gosta do comportamento da criança, mas não a deixe em dúvida sobre seu amor por ela. Essas duas coisas não podem se confundir.
Vocês também podem negociar. Isso costuma funcionar muito bem. Se o seu filho tem que estudar, deixe que ele escolha o horário mais conveniente, desde que você também concorde com o que está sendo proposto e desde que essa alternativa funcione (estudar às 2h da manhã não rola, né?).
Se você sentir que precisa colocar seu filho de castigo, pense bem onde irá fazer isso. Colocar uma criança de castigo no berço só fará com que ela associe o sono a algo ruim.
Outras dicas interessantes da matéria:
  • Não rotule seu filho: crianças e adolescentes acreditam no que ouvem sobre eles.
  • Fique fora: se seus filhos estiverem brigando, não interfira. Eles querem chamar a sua atenção.
  • Não deixe seu filho chorando: nessa situação a criança introjeta uma sensação de abandono. Principalmente o bebê precisa de toque, colo, cheiro e sensação corporal.
Bom, espero que essa versão resumida da matéria da Pais & Filhos tenha sido útil para você.
Super indico ler a matéria na íntegra e você pode fazer isso clicando aqui.
Essa matéria também foi publicada na edição N. 519, de junho de 2013, com o título “Castigo pra pensar? Nem pensar”.

11 Comentários:

  1. isso mesmo
    tem que existir o cantinho do castigo
    pois a crinaça tem que associar
    cada coisa berço é lugar de dormir
    Linda Tarde
    beijokas da Nanda

    Sendo a mãe da Isa e da Gabi
    Google+Nanda

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  2. Matéria ótima
    Devemos estar atenta com nosso pequenos em tudo
    E aprender o jeito melhor para educa-lo
    Bjus
    http://segredosdaluma.blogspot.com.br/

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  3. Aqui o castigo era e continua sendo a última opção(bater nunca foi cogitado por aqui), sempre conversei, acalmei e expliquei... tem dado certo!

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  4. Adorei o post, realmente dá muitas dicas para hora do sufoco, eu sou a favor de testar tudo e que ficar melhor para sua família vc adota.

    Tri-beijos Desirée
    http://astrigemeasdemanaus.blogspot.com.br/

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  5. Acho que o cantinho da disciplina ou do castigo é válido sim!
    ótimas dicas!!!
    bjcas
    http://estou-crescendo.blogspot.com.br/

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  6. Adorei, no Super Nanny não concordo com o cantinho para crianças de 3,4 anos não, porque você coloca,eles choram até e depois fazem de novo em menos de 5 segundos, se você conversar as vezes vão entender mais que se colocá-los chorando como se tivesses feito mal ao mundo.Agora a partir dos 5 aninhos você colocar com paciência, sem gritaria em um cantinho e explicar o porque dele ficar ali aqueles minutinhos ele irá entender,digo porque vejo isso na casa de um sobrinho e ele vai chateado mas depois diz porque ficou ali.Agora quanto ao "Se ver seus filhos brigando,não interfira,eles estão chamando sua atenção". Não gostei dessa colocação,como assim?Devo deixá-los se matando? Acho que tenho que interferir sim e mostrar para eles que irmãos se tratam com amor pela vida toda e que nunca resolvemos nada entre tapas e brigas,chamem a mamãe ou o papai para resolverem algum problema.Esses são os meus pensamentos flor.
    bjs

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  7. Sou a favor do diálogo mas de vez em quando a coisa engrossa e o "castigo" é bem vindo.

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  8. Parabéns pela coluna!
    Primeiro tento o diálogo aqui em casa, depois que vejo que não está resolvendo, dou castigo e explico que é consequência dos atos.
    Tenha um ótimo domingo!
    Bj

    Blog- Femme Digital- Mãe, Esposa, Mulher!
    Fan Page Femme Digital

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  9. aqui em casa eu nao dou nomes como cantinho do pensamento ou da disciplina, eu simplesmente explico o motivo, coloco de castigo e pronto. mas nem sempre o castigo é ficar sentado em um canto, cada castigo tem uma relação com o comportamento. gostei da matéria. beijos

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  10. Disciplina é tudo, além do amor, faz parte da educação, bjo

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  11. Adorei. Estava precisando ler algo sobre este assunto. Aqui existe o castigo, acho que tudo que faça entender que agil errado é importante. Educar não é uma tarefa nada fácil. Bjs
    Vivi e Isaac

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