A terrível solidão da maternidade

Solidão materna - verdade esmagadora



Ser mãe não é fácil, isso todo mundo já sabe, são inúmeros motivos que eu poderia relatar aqui sobre essa minha afirmação, mas hoje o texto é uma reflexão sobre o papel da mãe perante uma sociedade exigente, sem amor e intolerante.

Quando descobrimos a gravidez é uma festa entre as amigas próximas, às vezes até as distantes aparecem, familiares e metade da população do mundo quer passar a mãe na barriga e criam uma bolha em você. De um momento para o outro nos tornamos o alvo de atenção e cuidados da maioria das pessoas.

O problema começa quando o bebê nasce, ele é bonitinho e fofinho somente até chorar e o choro que era para ser algo tão natural da vida de um bebê acaba que afastando grande partes das amizades e leva a mãe a terrível solidão materna.

Uma recém mãe além de precisar se encontrar novamente como mulher, ela precisa de apoio e cuidados especiais. De uma hora para outra todo mundo some da sua frente e você se ver ali com um bebê exclusivamente seu, sem ter ajuda, sem conseguir fazer coisas que antes eram tão fácies e rápidas. Tudo isso incluindo uma queda brutal de hormônios que mexem com o psicológico até das mais fortes e preparadas.

Na verdade nós tentamos de todas as formas uma preparação para os próximos anos que virá, mas sinto dizer que não conseguimos. A maternidade é única em todos os sentidos, a maternidade não é igual e não vem com manual a ser seguido. É minha amiga, é só você, seu bebê e ás vezes seu companheiro ou uma mãe.

A que ponto quero chegar? Quero chegar no ponto da culpa, do dedo apontado, da sociedade hipócrita e condenadora das mães.

Participo de muitos grupos pelo facebook, grupo de mães é o meu alvo, e praticamente por toda semana passada e início já dessa li criticas a respeito de mães que levam seus filhos ao cinema, atrapalhando assim quem está do lado livre para assistir seu filme e comer sua pipoca em paz, até que um bebê chora ou uma criança pedi para ir ao banheiro ou pergunta algo sobre o filme. A condenação existe!

A sociedade quer uma mãe e seu bebê fora dela, o choro incomoda, o choro é irritante, ninguém é obrigada a ouvir choro chato de bebê dos outros. Foi isso que li. Que assustador! 

Assim as mulheres e seus filhos são obrigados a viverem trancafiados dentro de suas casas e quando a mãe não aguentar mais ela irá fazer programas infantis, onde até mesmo por lá, ela será condenada por seu filho não falar ainda ou não andar, ou não ter um inglês fluente na ponta da língua aos 3 anos.

A mulher vai vivendo uma solidão perturbadora, constante e esmagadora dentro de si. Onde se vai tem alguém com o dedinho apontando ou com a língua afinada. 

Se vamos ao shopping, lá não é lugar para um bebê. Se vamos a praia, lá não é lugar para um bebê. Se vamos a igreja e o bebê chora, todos os olhos se viram contra você. Se vamos ao cinema, lá não é lugar para um bebê. Se vamos para um restaurante e o bebê chora, lá não é lugar para um bebê.

Para a sociedade nenhum lugar do mundo é para um bebê e como consequência não é lugar para uma mãe. Nem toda as mulheres do mundo possuem uma mãe, uma sogra ou uma babá para deixar seus filhos e fazer algo que traga prazer. 

E pior! Quando uma mãe sai sem seu bebê ela é apontada, apedrejada, esmagada e culpada, por deixar seu bebê e ir se divertir. Dá para entender? Não, não dá!

Mãe também é gente! Mãe também tem o direito a sair com seu filho. O bebê faz parte da sociedade! O choro faz parte! Ninguém nasce falando, o choro é a expressão de comunicação, nem sempre de dor.

Um bebê chorando no cinema ou no restaurante não está simplesmente sendo negligenciado, ele está comunicando algo: fome, sono, fralda suja... isso não é mau trato, isso é a rotina do bebê. O que mais me assusta é saber que a maioria das criticas vem por parte de mulheres, não somos unidas.

A sociedade procura por mães que possam viver dentro de suas casas para que o choro ou as perguntas dos maiores não atrapalhem suas rotinas. 

Você pode ter a certeza que o choro do bebê doí mais na mãe do que em você! Muitas vezes ela se sente impotente por ter esquecido uma chupeta reserva ou uma mamadeira já pronta ou uma mantinha extra... e você aí que reclama do choro. 

Uma mãe e seu bebê podem viver reclusos do mundo e porque não pode ser diferente? Porque todos os outros não se trancam em casa e assim não serão incomodados por bebês que choram? Já dizia um ditado: Os incomodados que se retirem? Difícil né?

Não, eu não vou me trancafiar em casa porque as perguntas dos meus filhos ou o choro incomoda! Não, eu não vou deixar de fazer coisas que me dá prazer e que não prejudique meus filhos porque o choro dele vai incomodar! 

O choro é incômodo, mas os berros e risadas dos adolescentes não são? ou a música que atrapalha sua conversa no barzinho não é? ou o barulho irritante do seu som ligado no último volume em seu carro no fim de semana também não é? ou os fogos de artifícios que você solta na virada do ano também não é? Ou você bêbada chegando altas horas da madrugada fazendo barulho para entrar em casa também não é? 

Não mate uma mãe! PENSE!

Jamilly LIma

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